Minha jornada sendo mãe
Eu olho para minha filha e penso: esse serzinho estava dentro de mim. Como pode?!
Realmente acho impressionante todo o processo de criação. As etapas do desenvolvimento são incríveis. Surgimos de um "intercourse", aí inicia aquela corrida de 40 a 300 milhões de participantes em prol da vida. Quem chega primeiro entra no óvulo e vai se transformando até se tornar um ser humano, que chega ao mundo após nove meses.
A ciência é brilhante, mas Deus é maravilhoso.
Nove meses como uma montanha-russa, diversos altos e baixos. Um dia, enjoo, vômitos, dor de cabeça e ansiedade, no outro, cólica, estresse e tristeza. E assim vai até o fim da gestação.
Depois que o bebê nasce, novas preocupações, novos desafios. É a amamentação, alguns mamam no peito e outros não. Dor nas costas, nas pernas, nos braços. Algumas mães ganham excesso de peso e não conseguem perder; outras perdem peso e não conseguem ganhar. O colesterol é alterado, a glicose também, os hormônios ficam à flor da pele.
Como é tudo tão difícil. Por isso que há mulheres que ficam chateadas com a romantização da maternidade. Eu costumo dizer que ser mãe é como jogar um videogame, pois você se diverte, mas morre o tempo todo. E segue em restart.
Eu, particularmente, enquanto estava grávida, tomei ranço de muitas pessoas e mantive minha gravidez em segredo por toda a gestação. Apenas algumas pessoas sabiam.
— Ah, mas por quê, Alessandra?
Eu achei que aquela experiência era minha: pessoal, íntima, querida. Não queria compartilhar com todo mundo. Considerei que poucos mereciam saber daquele momento tão precioso para mim. E foi assim até minha filha nascer.
Minha filha completou um ano em fevereiro de 2026. Eu iria fazer uma grande festa para celebrar essa data, mas, infelizmente, recebi o diagnóstico de que minha avó estava partindo. Desisti da festa. No entanto, fiz um bolo e celebrei a vida da minha filha junto da minha avó. Aquele momento acabou se tornando uma despedida. Foi um adeus para ela, partiu em abril.
Hoje percebo a força simbólica daquele encontro: uma nova vida sendo celebrada enquanto outra se preparava para partir.
E sigo mais reservada. Quase não compartilho minha vida pessoal na internet, pois passei dessa fase de querer me mostrar. Agora, estou em uma fase de me guardar.
E isso tem me feito muito bem.
Antes, a sensação que eu tinha era que eu precisava ficar alimentando um "tomagotchi" (nem sei se é assim que se escreve) insaciável, e chega uma hora que você pergunta: para quê? Para quem?
Eu não sou uma influencer declarada, embora todos nós influenciemos alguém de certa forma. Porque, afinal, segundo Lacan, o ser humano, ainda na infância, cria sua identidade a partir da sua relação com o outro.
No entanto, se eu vier a influenciar, que seja naturalmente, e não seguindo métricas e padrões midiáticos.
Espero poder influenciar e inspirar pessoas através da arte, seja ela literatura ou arte visual.

Texto e fotografia: Alessandra Martins



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