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Minha jornada sendo mãe

9 de out.
2 min de leitura

Eu olho para minha filha e penso: esse serzinho estava dentro de mim. Como pode?!

Realmente acho impressionante todo o processo de criação. As etapas do desenvolvimento são incríveis. Surgimos de um "intercourse", aí inicia aquela corrida de 40 a 300 milhões de participantes em prol da vida. Quem chega primeiro entra no óvulo e vai se transformando até se tornar um ser humano, que chega ao mundo após nove meses.

A ciência é brilhante, mas Deus é maravilhoso.

Nove meses como uma montanha-russa, diversos altos e baixos. Um dia, enjoo, vômitos, dor de cabeça e ansiedade, no outro, cólica, estresse e tristeza. E assim vai até o fim da gestação.

Depois que o bebê nasce, novas preocupações, novos desafios. É a amamentação, alguns mamam no peito e outros não. Dor nas costas, nas pernas, nos braços. Algumas mães ganham excesso de peso e não conseguem perder; outras perdem peso e não conseguem ganhar. O colesterol é alterado, a glicose também, os hormônios ficam à flor da pele.

Como é tudo tão difícil. Por isso que há mulheres que ficam chateadas com a romantização da maternidade. Eu costumo dizer que ser mãe é como jogar um videogame, pois você se diverte, mas morre o tempo todo. E segue em restart.

Eu, particularmente, enquanto estava grávida, tomei ranço de muitas pessoas e mantive minha gravidez em segredo por toda a gestação. Apenas algumas pessoas sabiam.

— Ah, mas por quê, Alessandra?

Eu achei que aquela experiência era minha: pessoal, íntima, querida. Não queria compartilhar com todo mundo. Considerei que poucos mereciam saber daquele momento tão precioso para mim. E foi assim até minha filha nascer.

Minha filha completou um ano em fevereiro de 2026. Eu iria fazer uma grande festa para celebrar essa data, mas, infelizmente, recebi o diagnóstico de que minha avó estava partindo. Desisti da festa. No entanto, fiz um bolo e celebrei a vida da minha filha junto da minha avó. Aquele momento acabou se tornando uma despedida. Foi um adeus para ela, partiu em abril.

Hoje percebo a força simbólica daquele encontro: uma nova vida sendo celebrada enquanto outra se preparava para partir.

E sigo mais reservada. Quase não compartilho minha vida pessoal na internet, pois passei dessa fase de querer me mostrar. Agora, estou em uma fase de me guardar.

E isso tem me feito muito bem.

Antes, a sensação que eu tinha era que eu precisava ficar alimentando um "tomagotchi" (nem sei se é assim que se escreve) insaciável, e chega uma hora que você pergunta: para quê? Para quem?

Eu não sou uma influencer declarada, embora todos nós influenciemos alguém de certa forma. Porque, afinal, segundo Lacan, o ser humano, ainda na infância, cria sua identidade a partir da sua relação com o outro.

No entanto, se eu vier a influenciar, que seja naturalmente, e não seguindo métricas e padrões midiáticos.

Espero poder influenciar e inspirar pessoas através da arte, seja ela literatura ou arte visual.



Texto e fotografia: Alessandra Martins

 
 
 

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Pessoas relaxando na areia da praia em preto e branco.
Connected, 2026
Homem pescando na praia em frente a um navio naufragado
Fishman , 2026
Pessoas reunidas em silhueta na praia observando o pôr do sol
Sunset, 2026
Criança de braços abertos na beira do mar em preto e branco
Little Freedom, 2026

Alessandra Martins

©2024 Por Alessandra Martins.

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